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Quem chega a um museu, mal imagina que pode encontrar algo com que se identificar. Mas no Museu de Migração Japonesa ao Exterior, em Yokohama, é diferente. Um local conhecido, uma história parecida, um rosto familiar, torna isso muito mais fácil. Lá, conseguiu-se imortalizar um pedaço da história dos milhões de emigrantes japoneses que saíram de sua terra para viver em outros continentes.
Recortes de jornais, cartazes, reproduções de cenários e objetos de época, tudo lembra as histórias que os nossos pais ou avós contavam sobre a saga até o Brasil. Os artigos estão reunidos de forma preciosa para contar os cem anos da aventura que deu origem à maior colônia de japoneses fora do Japão. O passeio pelo museu se dá em ordem cronológica. Começa com os primeiros grupos de japoneses que migraram para o Havaí e Estados Unidos, até terminar com a última viagem, realizada a bordo do navio Brasil Maru, em 1971. Um “omikoshi” feito de vegetais, frutas e legumes dá as boas-vindas aos visitantes e começa a contar a história daqueles que foram para os Estados Unidos e, por meio da horticultura, começaram a se destacar no exterior. A obra é uma réplica daquela que ganhou o primeiro prêmio no Rose Festival, em Portland, Estado de Oregon. Há várias curiosidades, como o primeiro passaporte emitido pelo governo japonês, alertando que aquele que viajasse para fora do país não poderia mudar de religião ou nacionalidade. Cartazes e fotos da época resgatam as campanhas dirigidas à população japonesa convidando a todos a trabalhar no exterior, mostram como foi difícil a adaptação dos orientais ao novo mundo e, em contrapartida, como a recepção em alguns países anfitriões não foi tão calorosa. Vistos como meros operários da lavoura, a situação se agravou durante o período da Segunda Guerra Mundial, em que até foram levados para campos de concentração. Uma das partes mais interessantes são os depoimentos dos imigrantes de diversas gerações coletados e separados em três fases de imigração: antes, durante e pós-guerra. Seja do Havaí, Peru, Argentina, Brasil ou outros países latino-americanos, as histórias são curiosas. Os poucos minutos da gravação contam um pouco da época e as primeiras impressões da nova terra. Os relatos são em japonês, com legendas em inglês. Pequenos ambientes também buscam reproduzir cenas do cultivo comum aos imigrantes (café, algodão, pimenta-do-reino), o comércio que se criou nas colônias e a mesa da família no novo país, misturando sushi e feijoada – uma cena até corriqueira, apesar de um pouco exagerada, aos nikkeis brasileiros. Registros de associações e festas típicas em países com grande número de descendentes, como Brasil e Peru, e uma análise das vida nikkei nessas sociedades encerram a visita. Para facilitar, a sinalização do museu é em português, japonês e inglês. Construído perto do porto de Yokohama, de onde muitos japoneses partiram para uma nova vida, o museu também mostra um antigo mapa da região, com a localização da antiga hospedaria na qual os emigrantes ficavam até o momento do embarque. Terminais informatizado também permitem pesquisar a migração no passado e verificar tendências futuras. Hoje, os mais de 2,5 milhões de imigrantes japoneses e seus descendentes podem se orgulhar de que, neste prédio mantido pela Japan International Cooperation Agency (JICA), exista um pedaço da sua história. SERVIÇO Museu de Migração Japonesa ao Exterior Onde fica: 2-3-1 Shinko Naka-ku Yokohama Kanagawa T 231-0001 Japan Tel.: (45) 663-3257 Fax: (45) 211-1781 www.jomm.jp Horário: das 10h às 18h. Fecha às segundas-feiras, exceto nos feriados nacionais (neste caso fecha na terça). Não funciona de 29 de dezembro a 3 de janeiro. Entrada: grátis Como chegar: a 10 minutos à pé da estação Minato Mirai (linha Minato Mirai) ou Sakuragicho (linha JR). Erin Mizuta/IPC |